Uma médica da cidade de São Paulo foi demitida por justa causa após faltar ao trabalho enquanto enfrentava uma situação de violência doméstica. A profissional havia sido alvo de ameaças de morte por parte do marido e, após buscar ajuda das autoridades, acabou enfrentando consequências emocionais que a impediram de comparecer ao trabalho. A Justiça, ao avaliar o caso, reconheceu que as faltas estavam diretamente ligadas à situação de violência e reverteu a demissão.
A decisão foi proferida pela 12ª Vara do Trabalho do Fórum da Zona Sul de São Paulo. Além de reverter a demissão, o tribunal determinou que a empresa pagasse à médica a quantia de R$ 5 mil a título de danos morais, considerando as circunstâncias que levaram à sua ausência no trabalho.
De acordo com os registros do caso, a médica sofreu agressões do então marido e, em busca de proteção, solicitou uma medida protetiva de urgência. Após a agressão, ela apresentou à empresa documentos que comprovavam o registro da ocorrência policial e o pedido de medida protetiva. Contudo, mesmo com essas informações, a profissional ainda enfrentou problemas com a instituição, que alegou que as faltas eram injustificadas.
A empresa, em sua defesa, argumentou que a médica não havia apresentado uma justificativa satisfatória para suas ausências. Também foi mencionado que a instituição ofereceu alternativas de transferência de trabalho, mas a situação se agravou, resultando na demissão da médica. Essa decisão, no entanto, foi contestada judicialmente.
O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) destacou a importância de considerar as circunstâncias da violência doméstica no ambiente de trabalho. O reconhecimento da violência como um fator que prejudica o desempenho profissional foi um ponto central na decisão, que busca proteger as vítimas e garantir seus direitos no ambiente laboral.
Esse caso ilustra a necessidade de um olhar mais atento sobre as questões de gênero e violência no contexto profissional, refletindo a luta por um ambiente de trabalho mais seguro e respeitoso para todos. A decisão também pode servir de precedente para situações semelhantes, reforçando a importância do apoio às vítimas de violência doméstica e a responsabilidade das empresas em lidar com esses casos de maneira sensível e justa.












