O ex-senador Chiquinho Feitosa, que é ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal (STF), firmou um contrato com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, com o objetivo de atuar em processos que tramitam na Corte. Entre os casos que Feitosa acompanhou está um que está sob a relatoria do próprio ministro Gilmar Mendes.
As informações sobre essa contratação foram reveladas por meio de diálogos interceptados pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, conforme reportado pelo Jornal O Estado de S. Paulo. Essas conversas indicam que Feitosa prestava contas a Vorcaro sobre o andamento de pautas de interesse do Banco Master, incluindo temas como a compra de precatórios e alterações nas regras para cursos de medicina.
O acordo foi formalizado através da Super Empreendimentos, uma empresa vinculada a Vorcaro, que atualmente enfrenta investigações por suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. A relação entre os envolvidos e as questões discutidas nos diálogos levantam preocupações sobre a possível influência de interesses privados nas decisões do STF.
Em um encontro realizado em 11 de abril de 2024, no gabinete de Gilmar Mendes, os dois discutiram assuntos que impactam diretamente os interesses financeiros do Banco Master. Apesar dos esforços de Feitosa para se aproximar do magistrado, os resultados foram desfavoráveis para o banqueiro. Mendes votou contra o pagamento de precatórios referentes à Usina Agroindustrial Tabu e se posicionou a favor da manutenção das regras do programa Mais Médicos, que regulamenta a abertura de vagas em cursos de medicina.
A situação gerou um clima tenso entre os ministros do STF, especialmente depois que Mendes e o relator do Caso Master, André Mendonça, trocaram farpas publicamente. O ministro Mendes, em nota, afirmou não ter conhecimento sobre a contratação de Feitosa, ressaltando que não houve qualquer tipo de influência em suas decisões judiciais.
Essa situação é parte de um contexto mais amplo de investigações e discussões que envolvem o Banco Master, e a relação de Feitosa com Mendes levanta questões sobre a ética na política e no Judiciário, especialmente em um momento em que a transparência e a integridade das instituições estão sob escrutínio público.












