Casos analisados pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) revelam os limites da relação entre empregador e empregado em períodos eleitorais, especialmente nas eleições de 2022. Duas situações distintas, envolvendo uma madeireira em Laranjeiras do Sul, no Paraná, e frigoríficos em Betim, Em Minas Gerais, foram consideradas pelo tribunal, que identificou práticas de assédio eleitoral.
A denúncia que deu origem a um dos casos partiu do Ministério Público do Trabalho (MPT) e referia-se à Fábrica de Troncos Romancini Ltda. Os relatos indicavam que, em outubro de 2022, trabalhadores da empresa enfrentaram pressão para apoiar um candidato à Presidência. Testemunhas confirmaram que os empregadores deixavam explícito que quem não apoiava o candidato não teria respaldo dentro da empresa, além de distribuírem materiais de campanha perto do relógio de ponto.
Durante o período eleitoral, houve visitas de candidatos às instalações da madeireira. Para incentivar o apoio ao candidato preferido, os empregadores chegaram a prometer um churrasco caso ele saísse vitorioso. A Justiça do Trabalho, em um primeiro momento, não reconheceu a ocorrência de dano moral coletivo, considerando que a situação poderia ser uma irregularidade eleitoral, mas não configurava uma violação grave o suficiente para uma condenação.
O TST, entretanto, revisitou a questão e definiu que a prática de coação, como a pressão ou a promessa de vantagens para influenciar o voto dos funcionários, constitui assédio eleitoral. Essa caracterização é válida tanto para ações que ocorrem nas dependências da empresa quanto em situações relacionadas ao trabalho. A decisão do tribunal visa proteger a liberdade de escolha dos trabalhadores em contextos eleitorais, reafirmando a importância do respeito e da ética nas relações de trabalho.
Esses casos ilustram a necessidade de uma vigilância mais atenta sobre a conduta de empregadores durante períodos eleitorais, especialmente em um cenário onde a integridade do processo democrático deve ser resguardada. A questão do assédio eleitoral não é uma novidade, mas as decisões recentes do TST reforçam o compromisso com a proteção dos direitos dos trabalhadores, assegurando que suas escolhas políticas sejam respeitadas sem coerção ou intimidação.












