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Reajuste de 15% no Bolsa Família pode retirar 1,3 milhão da extrema pobreza no Brasil

Um estudo elaborado por um professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que um reajuste de 15% no Bolsa Família poderia retirar cerca de 1,3 milhão de pessoas da extrema pobreza no Brasil. A simulação, que se baseia em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), considera as famílias que possuem uma renda mensal de até R$ 218 por integrante.

A pesquisa revela que, atualmente, a extrema pobreza no Brasil atinge 4,61% da população, e com o aumento do benefício, essa porcentagem poderia ser reduzida para 4,01%. O impacto do reajuste no Bolsa Família seria especialmente notável nas regiões Norte e Nordeste, onde cerca de 40% dos moradores são atendidos pelo programa social.

Além de beneficiar aqueles que conseguiriam sair completamente da extrema pobreza, o aumento no valor do benefício também proporcionaria uma melhoria na renda das famílias que ainda estariam abaixo da linha da pobreza. Isso resultaria em uma diminuição da severidade da miséria extrema, facilitando o acesso a despesas básicas.

A simulação também indica que mais de 1,2 milhão de pessoas poderiam superar a linha da pobreza, que é definida pelo Banco Mundial como uma renda mensal de até R$ 775 por pessoa. O estudo foi realizado considerando que o reajuste seria aplicado igualmente aos domicílios que recebem o Bolsa Família, mantendo constantes as regras de acesso ao programa e a renda do restante da população.

Recentemente, o governo federal aumentou o valor do Bolsa Família, que passou de R$ 600 para R$ 691, em 17 de setembro, visando ajustar o poder de compra em resposta à inflação acumulada entre 2023 e 2026. Contudo, a legislação do programa não prevê um mecanismo de reajuste automático, o que significa que as futuras correções dependerão da decisão do governo federal.

O professor Vitor Hugo Miro ressalta que a falta de ajustes regulares no programa pode representar um risco para os beneficiários. Ele alerta que, se o limite de R$ 218 para ingresso no Bolsa Família permanecer congelado, a inflação poderá dificultar o acesso de novas famílias vulneráveis ao programa, aumentando a necessidade de uma revisão periódica dos valores.

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